Minha, sua...nossa infância!

Como é bom voltar ao passado para lembrar da nossa infância! Como é gostoso reviver uma das melhores, senão, a melhor época da nossa vida! Acredito que qualquer pessoa, de qualquer idade, menos as crianças gostam de falar da sua infância.
Morávamos num lindo sítio, localizado no bairro do Pacheco, (tks, Bel!), com vista privilegiada para o Porto de Ilhéus e para o bairro do Malhado. Lembro da festa que fazíamos quando um novo navio aportava.

Lembro das brincadeiras com meus irmãos: Toninho, Deta, e a pequenina Tatai.
Brinquei muito de casinha, de escritório, de bolinha de gude, pulei corda, brinquei com gato, cachorro, coelho, preá. Tínhamos um louro, um jegue e até um macaco hiper danado. Subi em árvores pra comer sapotí, pulei toco de árvore onde rasguei a parte interna da coxa, nadei e quase morri num tanque (fui salva por Deta que sentiu minha falta e nadou até o fundo do tanque me tirando de lá...te devo uma, meu irmão!)
E quando os amigos da redondeza iam pra lá então, era uma festa!
Lembro da minha primeira amiga – Ângela – que carinhosamente chamávamos de “Ginha”, com seu jeitinho meigo, sereno e muito amável. Lembro de Luciana, Rica, Calanguinho e outros amigos dos meus irmãos que de vez em quando iam lá no sítio brincar.
Dos brinquedos, lembro da minha boneca Gracinha, que minha Tia Anete me deu cumprindo sua palavra após eu ter recitado uma poesia no culto de Natal na igreja.
Lembro mais dos brinquedos que confeccionávamos do que dos que comprávamos, até porque comprar brinquedo não fazia parte da nossa realidade.
Lembro da minha primeira professora, que não foi da escola, e sim da “banca”, como chamávamos em Ilhéus – uma espécie de reforço escolar.
Eu queria tanto ir logo pra escola que minha mãe me colocou pra estudar com ela antes de entrar no Jardim de Infância, na escolinha Perpétua Marques. Lembro do cheiro da lancheira, que lá chamávamos de merendeira, do pão com goiabada, biscoito de maisena com manteiga, especialmente preparado pra ser bem apertado antes de comer, vendo as “cobrinhas de manteiga” subirem pelo biscoito, laranjada, limonada...hum!
Um dia, na hora do lanche, ela perguntou: “Kézia, o que você trouxe hoje pra merendar? “ E eu respondi com toda satisfação, mostrando aquela fruta imensa, cheirosa, vinda diretamente do meu quintal... “Eu trouxe mangão, professora!
Quantas boas lembranças!!!
E você? Quais são suas lembranças da infância?
“Tendo esquecido a criança que fomos, não podemos atingir hoje a criança como ela é – visto que já não está aqui...” Marina Marcondes Machado – A Poética do Brincar.

Infelizmente, voltando do passado, não posso afirmar que futuramente esta geração de crianças poderá dizer : “Quantas boas lembranças!”*
* Escrevo sobre a infância, no dia 18 de maio, constituído pela Lei Federal no. 9.970 como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.







